Fertilização – Regras Básicas

 Em Dicas de Cultivo

A prática da fertilização ou adubação consiste em repor os nutrientes retirados do solo pelas plantas. A água das chuvas e das regas carrega consigo parte dos minerais e nutrientes, num processo chamado de lixiviação do solo. Somado a isso, à medida que se desenvolvem, as plantas necessitam absorver cada vez mais nutrientes através de sua crescente massa de raízes. Plantas crescendo em vasos ou canteiros fechados requerem ainda mais atenção quanto à fertilização, uma vez que nesses ambientes praticamente não existe reposição natural dos nutrientes do solo.

Os fertilizantes dividem-se em dois grupos principais, Orgânicos e Minerais. Apesar dessa denominação, não significa que fertilizantes minerais contenham apenas elementos minerais e nada de componentes orgânicos e vice-versa. Os fertilizantes orgânicos contém sim elementos minerais, provenientes de qualquer decomposição de matéria orgânica, e os fertilizantes minerais podem conter elementos de origem orgânica. A principal diferença entre eles está na sua fonte de obtenção, tendo como consequência a concentração de nutrientes (geralmente medida pelos 3 nutrientes chave NPK – Nitrogênio, Fósforo e Potássio). Enquanto fertilizantes orgânicos são obtidos de fontes naturais ou são resultado de processos naturais, como decomposição, fermentação, etc., os fertilizantes minerais provém de extrações minerais, processos químicos ou são produzidos em laboratório. Por esse motivo podem conter maiores concentrações de nutrientes em comparação aos orgânicos.

Por outro lado, os fertilizantes orgânicos têm maior permanência no solo e são absorvidos de forma gradual pelas plantas, num processo mais equilibrado. Já fertilizantes minerais tem absorção e lixiviação rápidas, necessitando de aplicações mais frequentes e maiores cuidados na hora da dosagem, pois podem facilmente causar overfert e danificar ou até matar as plantas.

Assim como os fertilizantes minerais, os orgânicos são encontrados na forma líquida ou granulados/pó. Os fertilizantes orgânicos granulados ou farelados consistem em matéria orgânica decomposta, que passam pelo processo de fermentação e transformam os nutrientes em formas já disponíveis para serem absorvidas pelas raízes. Eles podem ser aplicados tanto em canteiros como em vasos e cultivo indoor, tomando-se o cuidado de misturá-los bem à terra para evitar o surgimento de fungos. Alguns cultivadores preferem utilizar a forma líquida, que pode ser diluída na água da rega, facilitando a aplicação. Os fertilizantes minerais também são encontrados em ambas as formas líquidos ou pó e sua aplicação se dá geralmente pela água.

Veja algumas vantagens de utilizar fertilizantes orgânicos:

Aumenta a capacidade de retenção de água no solo;

Melhora a condição de penetração das raízes;

Propicia condições para os organismos microscópicos se desenvolverem, o que aumenta a disponibilidade de nutrientes;

Os adubos orgânicos tem na sua composição diferentes elementos químicos em quantidades semelhantes, já os minerais apresentam altas concentrações dos elementos NPK, em doses apropriadas para cada tipo de planta. Alguns também contém micronutrientes, como Boro, Ferro, Zinco, Manganês, etc. Uma fórmula NPK 12–10–6, por exemplo, indica que o produto contém 12% de N (Nitrogênio) + 10% de (Fósforo) + 6% de K (Potássio), aproximadamente. É importante saber que a quantidade total de nitrogênio presente na formulação do fertilizante está dividida, geralmente, em Nitrato (NO3) e Amônia (NH4), sendo que o primeiro possui liberação lenta, por isso permanece por mais tempo no solo. Assim, é essencial observar a resposta das plantas à aplicação de fertilizantes contendo nitrogênio, uma vez que o nitrato ainda pode estar presente no substrato.

Algumas vantagens de utilizar fertilizantes minerais:

É possível controlar com muita precisão a quantidade de nutrientes que a planta está recebendo;

O risco de aparecimento de pragas, principalmente fungos, pode ser menor ao se utilizar fertilizantes minerais;

É importante escolher um fertilizante mineral de boa qualidade. Algumas marcas não oferecem garantias das concentrações dos elementos químicos presentes na formulação, além de contribuírem para a poluição ambiental no processo de fabricação dos produtos.

Outras dicas para uma boa fertilização:

Pode-se optar por fertilizantes foliares líquidos, os quais são misturados em água e pulverizados nas plantas, sendo facilmente absorvidos através das folhas. Deve-se tomar o cuidado de não pulverizar fertilizantes nos períodos de maior temperatura do dia. O ideal é no início da manhã ou anoitecer.

Durante o outono e inverno as plantas entram numa fase de dormência, caracterizada pela redução de sua atividade vegetativa. A fertilização durante este período deve ser diminuída ou evitada.

Cuidado com a superadubação, ou também chamada overfert. O excesso de fertilizantes queima as folhas e caules, tornando-os com aspecto doentio e fracos. Para corrigir o problema é necessário fazer um flush, ou seja, regar abundantemente até que a água leve consigo o excesso de nutrientes.

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