Guia da compostagem caseira: Saiba como montar e usar no cultivo

 Em Dicas de Cultivo, Dicas Green Power

De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), diariamente são produzidas cerca de 160 mil toneladas de lixo no Brasil. Deste total, aproximadamente 57% correspondem à matéria orgânica, resíduos das nossas e das cozinhas de restaurantes, restos de feiras, supermercados, entre outros locais. São as cascas de frutas e vegetais, restos de alimentos e tudo o que é desperdiçado.

É um volume considerável, que poderia ser reaproveitado gerando um excelente adubo a partir de uma compostagem. Isso diminuiria a quantidade de resíduos encaminhados aos aterros sanitários e lixões, além de reduzir a emissão de gases que contribuem para o aumento do efeito estufa.

Em resumo, a compostagem gerar três vantagens principais:

  • Reduzir a produção de lixo e beneficiar o meio ambiente;
  • Melhora a produção da horta/jardim sem gastos elevados com fertilizantes caros;
  • Incremento nas condições de “saúde” do solo. Isso ocorre porque a matéria orgânica composta se liga às partículas do solo (areia, argila), ajudando na retenção e drenagem do solo melhorando sua aeração, fertilidade e conferindo estabilidade.

A compostagem é uma técnica prevista na  Lei Nacional de Resíduos Sólidos, que atribui a responsabilidade aos prestadores de serviço público de limpeza quanto à correta destinação dos resíduos, prevendo a implantação de sistema de compostagem para resíduos sólidos orgânicos. Já existem muitas iniciativas públicas e privadas fazendo compostagem em grande escala, mas não precisamos esperar que aconteça através de terceiros. É possível, viável e benéfico que a iniciativa comece na casa de cada cidadão.

Afinal, se queremos ver mudanças na legislação, inclusive na proibitiva que todos conhecemos, devemos começar essa mudança por nós mesmos, em todos os sentidos.

Pensando nisso, apresentamos informações para aqueles que desejam tomar iniciativa e iniciar uma compostagem caseira.

Como montar uma compostagem caseira

É possível compostar em uma casa que tem um quintal e mesmo em um apartamento sem muito espaço. Selecionamos a seguir alguns métodos de compostagem, mas lembramos que existem muitas outras possibilidades e que, por isso, vale pesquisar e eleger qual o mais adequado à sua realidade e necessidade.

Compostagem no quintal

Para quem conta com um espaço no quintal, a compostagem torna-se bem mais simples e não exige grandes instalações. A maioria das técnicas exige apenas um buraco ou uma estrutura em forma de caixa para receber os resíduos, como no modelo a seguir:

  1. Faça um buraco na terra com mais ou menos 60x60cm de lados e profundidade de 20cm a 30cm. Você pode fazer dois buracos porque, assim, enquanto um descansa e o composto fica pronto, você enche o outro. Caso julgue necessário, coloque tábuas nas laterais para ajudar a segurar as paredes de terra.

  2. Se você não tiver um espaço no quintal em que possa cavar um buraco também pode fazer a compostagem em uma caixa de madeira, tijolos (desde que sejam do tipo maciços, sem furos, para evitar     proliferação de insetos) ou uma caixa sem o fundo (tipo um caixote, algo que segure as laterais mas tenha acesso ao chão). O importante é que estejam em contato com o solo. Também dá para fazer cercando uma área em contato com a terra com cerca de arame, tábuas ou troncos.

  3. Coloque o material orgânico no local da compostagem, mas não espalhe muito. Vá concentrando em um cantinho e sempre cubra muito bem com folhas secas, serragem ou outro dos materiais ricos em Carbono.

  4. É bom manter úmido para que a decomposição aconteça     mais rapidamente. Se o clima estiver quente ou demasiado seco pode-se regar o composto de vez em quando.

  5. A cada semana dê uma revirada em todo material para aerar (oxigenação) e facilitar a decomposição.

  6. Aos poucos as sobras de alimento vão se transformar em uma terra bem escura, com cheiro de terra molhada. Esse é o composto pronto.

Lembrete: A desvantagem desse método é que perde-se o biofertilizante, que é acumulado nas composteiras modelo citadas abaixo.

Compostagem em apartamento

Fazer com minhocas

A composteira com minhocas é interessante tanto para quem mora em apartamento quanto para quem vive em numa casa mas não pode fazer um buraco no quintal. Embora na comparação com outros métodos, o processo de compostagem seja mais rápido e o composto do minhocário (húmus) mais rico, a compostagem com minhocas exige mais cuidados e atenção.

Confira um exemplo de técnica de compostagem com minhocas, adaptado de reportagem da revista Globo Rural:

  1. Arranje três caixas plásticas escuras (tipo caixa organizadora; precisam ser exatamente iguais para você encaixar uma sobre a outra). Pode-se usar também três baldes plásticos que tenham tampa (e possam se encaixar um sobre o outro).

  2. Reúna cerca de 100 minhocas. As mais recomendadas são as minhocas californianas vermelhas, da espécie Eisenia hortensis;

  3. Empilhe as três caixas (ou baldes);

  4. Faça pequenos furos no fundo dos recipientes nos dois primeiros andares para o resíduo orgânico diluído cair e as minhocas se movimentarem;

  5. No andar superior, forre o fundo com folhas secas ou serragem, em seguida coloque a terra com as minhocas e deposite o lixo orgânico acima diariamente (importante, as minhocas devem ser colocadas com terra). Depois, cubra os resíduos com outra camada de serragem para contribuir com a oxigenação;

  6. Continue depositando a matéria orgânica até que a caixa superior esteja cheia. Quando o recipiente encher, coloque-o para baixo e deixe a mistura em repouso por cerca de um mês.

  7. Troque-o pela caixa do meio que está vazia e recomece o processo durante o tempo de repouso, uma vez que a compostagem acontece nesses dois andares.

  8. A caixa da base serve apenas para coletar o resíduo orgânico líquido que escorre das duas caixas superiores. Esse biofertilizante pode ser diluído em dez partes de água e usado para regar as plantas uma vez por semana.

  9. Após o período de repouso, que deve durar em torno de um mês, o material se transforma em adubo orgânico, também conhecido como húmus de minhoca, que pode ser utilizado em hortas e plantas.

  10. Para retirar o húmus, deixe a caixa com a tampa aberta em um lugar com bastante luz até que as minhocas se escondam na terra. Tire o adubo aos poucos para não machucá-las.

Fazer sem minhocas

A opção de montar uma compostagem sem minhocas é uma das técnicas mais simples e baratas, mas deve-se ficar atento ao volume de resíduos que é gerado na sua casa para, então, escolher o tamanho do balde/recipiente a ser utilizado.

  1. Arranje dois baldes escuros e com tampa e com volume para 45 dias de resíduos. São necessários dois baldes para fazer o revezamento (enquanto um está cheio e em repouso por 45 dias, o segundo balde irá receber os resíduos);

  2. Instale duas torneiras de bebedouro, com vedação, em cada um dos baldes fazendo um furo na lateral, logo acima do fundo do balde. É através da torneirinha que você irá retirar o biofertilizante;

  3. Faça furos pequenos na tampa do balde que sejam suficientes para permitir a entrada de ar, mas que evitem a entrada de insetos (se necessário forre com um pedaço de tela);

  4. Deposite no fundo do balde uma camada de tijolos quebrados, pedriscos ou pedras de argila expandida, cobrindo o furo da torneira;

  5. Cubra com um pedaço de tela metálica fina.

  6. Coloque uma camada de folhas secas, restos de apara de     gramado, serragem, jornal/papel picado e por cima dela os resíduos da sua cozinha;

  7. Vá alternando as camadas (resíduos e palha/serragem) até próximo à borda da tampa do balde;

  8. Utilize um graveto ou madeira para revirar a mistura de vez em quando, o que ajuda na oxigenação e evita odores;

  9. Retire o biofertilizante abrindo a torneira semanalmente. Ele pode ser usado de imediato, diluído em água na proporção de 1:10 e usado para regar as plantas;

  10. Após encher, o balde deve ficar em repouso de 30 a 45 dias, revirando o composto semanalmente com o graveto de madeira. Após o período o composto pode ser retirado e usado misturado ao solo, substrato.

Dicas importantes para fazer um bom composto

Além das dicas sobre como montar a compostagem, é importante também estar atento para saber como fazer um bom composto que possa contribuir para o desenvolvimento do seu cultivo. Confira.

Observar quais materiais estão indo para a composteira e sua proporção

  • Os materiais vegetais que podem ir para compostagem dividem-se em dois grupos: Ricos em Carbono e Nitrogenados;
  • Entre os materiais ricos em carbono podemos considerar casca de árvores, as aparas de madeira, as podas dos jardins, aparas de gramado, folhas e galhos das árvores, palhas e fenos, serragem, papel;
  • Entre os materiais nitrogenados incluem-se as folhas verdes, estrumes animais,  restos de vegetais, hortícolas, erva, resíduos da cozinha, entre outros.
  • A proporção que deve ser colocada na composteira é de ⅔ de materiais Ricos em Carbono para ⅓ de material Nitrogenado;
  • Não colocar materiais que contenham vidros, plásticos, tintas, óleos, metais, pedras etc;Não devem conter um excesso de gorduras, pois prejudicam e atrasam o processo da compostagem;
  • Embora os ossos sejam fontes de importantes nutrientes, como o Fósforo, eles não devem ser colocados inteiros na composteira, apenas moídos;
  • A carne deve ser evitada nas pilhas de compostagem porque pode atrair animais indesejáveis e causar odores
  • O papel pode ser utilizado, mas não deve exceder 10% do total. Não colocar papel colorido, pois contêm metais pesados.

Principais fatores que influenciam na compostagem

  • Temperatura: Temperaturas acima de 30ºC aceleram o processo, acima de 40ºC muitos organismos patogênicos são eliminados e mantém-se os organismos benéficos ao processo. É interessante monitorar a temperatura com um termômetro.
  • Umidade: A faixa de umidade ótima para se obter um máximo de decomposição está entre 40 a 60%. Essas taxas são facilmente mantidas nos modelos de composteiras fechadas, mas no caso de composteiras de quintal, se o ambiente estiver demasiado seco faz-se necessário regar;Oxigenação: A aeração é importante pois acelera  o processo da compostagem e evita odores. Revirar a pilha de composto semanalmente é a dica aqui.

A compostagem, quando bem executada, não gera odores desagradáveis e nem deve atrair insetos, como baratas e moscas. É um processo natural e simples de fazer, que rende ótimos resultados no jardim.

 

Comments
  • Rafael Brascher
    Responder

    Muito top essa matéria sobre compostagem. Composto aqui em casa com minhocas a anos. Depois que pega a manha, só vai.
    Um abraço.

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